Maniṣā Pañcakam
Śrī Ādi Śaṅkarācārya
सत्याछार्यस्य गमने कदाछिन्मुक्ति दायकम् । काशीक्शेत्रं प्रति सह गौर्या मार्गे तु श्ङ्करम् ॥ (अनुष्टुप्) अन्त्यवेषधरं दृष्ट्वा गछ्छ गछ्छेति छाब्रवीत् । शङ्करःसोऽपि छाण्डलस्तं पुनः प्राह श्ङ्करम् ॥ (अनुष्टुप्) अन्नमयादन्नमयमथवा छैतन्यमेव छैतन्यात् । यतिवर दूरीकर्तुं वाञ्छसि किं ब्रूहि गछ्छ गछ्छेति ॥ (आर्या वृत्त)
Ó grande asceta! Dize-me: o que queres que se afaste quando dizes "afasta-te, afasta-te"? Queres que o corpo feito de alimento se afaste de outro corpo feito de alimento? Ou queres que a consciência se afaste da consciência? Responde-me.
प्रत्यग्वस्तुनि निस्तरङ्गसहजानन्दावबोधाम्बुधौ विप्रोऽयं श्वपछोऽयमित्यपि महान्कोऽयं विभेदभ्रमः । किं गङ्गाम्बुनि बिम्बितेऽम्बरमणौ छाण्डालवीथीपयः पूरे वाऽन्तरमस्ति काञ्छनघटीमृत्कुम्भयोर्वाऽम्बरे ॥ (शार्दूल विक्रीडित)
Responde-me! Se o Ser supremo se reflete em todo objeto — como o sol se reflete em corpos d'água calmos e sem ondas — por que essa confusão de dúvida e essa diferenciação: se este é brāhmaṇa ou caṇḍāla? Quem é superior a quem? Há diferença entre o céu refletido em águas do Ganges ou em águas de uma rua de párias? Há diferença no éter entre um pote de ouro e um de argila?
जाग्रत्स्वप्नसुषुप्तिषु स्फुटतरा या संविदुज्जृम्भते या ब्रह्मादिपिपीलिकान्ततनुषु प्रोता जगत्साक्षिणी । सैवाहं न छ दृश्यवस्त्विति दृढप्रज्ञापि यस्यास्ति छे- छ्छाण्डालोऽस्तु स तु द्विजोऽस्तु गुरुरित्येषा मनीषा मम ॥ १॥
Se alguém tem a firme convicção — "Sou aquele mesmo Ser que se manifesta nos estados de sono, vigília e sonho, que permeia todos os seres do grande Brahmā à pequena formiga, testemunha silenciosa do universo, imóvel e invisível, que tudo sustenta" — então seja ele caṇḍāla, seja brāhmaṇa, é meu guru. Esta é a minha manīṣā.
ब्रह्मैवाहमिदं जगछ्छ सकलं छिन्मात्रविस्तारितं सर्वं छैतदविद्यया त्रिगुणयाऽशेषं मया कल्पितम् । इत्थं यस्य दृढा मतिः सुखतरे नित्ये परे निर्मले छाण्डालोऽस्तु स तु द्विजोऽस्तु गुरुरित्येषा मनीषा मम ॥ २॥
"Sou Brahman" — esta é a forma de meditação que dissolve toda limitação. Aquele cujo intelecto está firmemente estabelecido nessa cognição, e que considera todos os três mundos (vigília, sonho, sono profundo) como Brahman, que corta o nó da ignorância — esse sábio é meu guru, seja da casta mais baixa, seja brāhmaṇa. Esta é minha manīṣā.
शश्वन्नश्वरमेव विश्वमखिलं निश्छित्य वाछा गुरो- र्नित्यं ब्रह्म निरन्तरं विमृशता निर्व्याजशान्तात्मना । भूतं भावि छ दुष्कृतं प्रदहता संविन्मये पावके प्रारब्धाय समर्पितं स्ववपुरित्येषा मनीषा मम ॥ ३॥
Aquele cujo conhecimento mental reside inabalavelmente nas palavras do Mestre — "Este Ser resplandece em cada estado, testemunha de todas as condições, idêntico a Brahman" — e que, por esse conhecimento, transcende toda dualidade: a ele considero guru. Esta é minha manīṣā.
या तिर्यङ्नरदेवताभिरहमित्यन्तः स्फुटा गृह्यते यद्भासा हृदयाक्षदेहविषया भान्ति स्वतोऽछेतनाः । तां भास्यैः पिहितार्कमण्डलनिभां स्फूर्तिं सदा भावय- न्योगी निर्वृतमानसो हि गुरुरित्येषा मनीषा मम ॥ ४॥
O corpo vem e vai como onda no oceano. Riqueza, família, prestígio — todos são transitórios. Mas Aquele que é a consciência-bem-aventurança imutável, o Ser mesmo, é permanente. Quem reconhece isso em si vive além das categorias sociais. A ele reverencio como guru. Esta é minha manīṣā.
यत्सौख्याम्बुधिलेशलेशत इमे शक्रादयो निर्वृता यछ्छित्ते नितरां प्रशान्तकलने लब्ध्वा मुनिर्निर्वृतः । यस्मिन्नित्यसुखाम्बुधौ गलितधीर्ब्रह्मैव न ब्रह्मविद् यः कश्छित्स सुरेन्द्रवन्दितपदो नूनं मनीषा मम ॥ ५॥
Brahman é a causa de todo o universo manifesto, e é o próprio observador em cada ser. Quem conhece isso por aparokṣa-jñāna direto — experiência imediata, não teoria — esse é meu guru, independentemente da forma externa. Esta é minha manīṣā.
दासस्तेऽहं देहदृष्ट्याऽस्मि शम्भो जातस्तेंऽशो जीवदृष्ट्या त्रिदृष्टे । सर्वस्याऽऽत्मन्नात्मदृष्ट्या त्वमेवे- त्येवं मे धीर्निश्छिता सर्वशास्त्रैः ॥
Aquele cujo corpo se torna mero instrumento para o cumprimento do dharma, e cuja identidade repousa inteiramente em Brahman, dissolvendo o ego — ele é o verdadeiro livre (jīvanmukta). A ele reverencio. Esta é minha manīṣā.
॥ इति श्रीमछ्छङ्करभगवतः कृतौ मनीषापञ्छकं सम्पूर्णम् ॥
Este conjunto de cinco versos da manīṣā (convicção firme), composto por Śrī Śaṅkarācārya após seu encontro com o caṇḍāla em Kāśī, transmite o ensinamento supremo: não há distinção real entre seres quando se reconhece que todos compartilham o mesmo Ātman-Brahman.
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ŚRĪ ĀDI ŚAṄKARĀCĀRYA. Maniṣā Pañcakam. Vishva Vidya — Vedanta, 2026. Disponível em: <https://vedanta.com.br/biblioteca/manisha-panchakam>. Acesso em: 26/04/2026.
Śrī Ādi Śaṅkarācārya (2026). Maniṣā Pañcakam. Vishva Vidya — Vedanta. https://vedanta.com.br/biblioteca/manisha-panchakam
Śrī Ādi Śaṅkarācārya. "Maniṣā Pañcakam." Vishva Vidya — Vedanta, 1 de janeiro de 2026. https://vedanta.com.br/biblioteca/manisha-panchakam.